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Tiao, mãe!
Por Domingos Pellegrini (em 17/06/2010 @ 16:27:13, em artigos, lido 192 vezes)

Ontem morreu minha mãe, Maria, hoje foi enterrada, com a presença de amigas e amigos dela, amigas e amigos meus. Ela morreu tranquilamente, sem dor nem medo. No velório, vendo suas mãos cruzadas, coalhadas de sardas de velhice, me veio este sonetinho:

 

O chamado guardamento

na verdade nada guarda

é apenas cumprimento

a quem já vai noutra estrada

 

A cera esculpe lenta-

mente as horas veladas

e o cravo defuntamenta

seu perfume adocicado

 

No livro de condolências

os personagens se alistam

e o enredo não tem ação

 

pois até a protagonista

nada fala, nada pensa

somente cruzou as mãos