Ontem morreu minha mãe, Maria, hoje foi enterrada, com a presença de amigas e amigos dela, amigas e amigos meus. Ela morreu tranquilamente, sem dor nem medo. No velório, vendo suas mãos cruzadas, coalhadas de sardas de velhice, me veio este sonetinho:
O chamado guardamento
na verdade nada guarda
é apenas cumprimento
a quem já vai noutra estrada
A cera esculpe lenta-
mente as horas veladas
e o cravo defuntamenta
seu perfume adocicado
No livro de condolências
os personagens se alistam
e o enredo não tem ação
pois até a protagonista
nada fala, nada pensa
somente cruzou as mãos
|