A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Barbara Johnson

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Do Jornal de Londrina e Tribuna do Norte:
Por Domingos Pellegrini (em 26/07/2010 @ 09:27:49, em jornal, lido 29 vezes)

 

RATO NO CARRO!
 
         Quando Pingo começa a ganir na chácara, é porque acuou gato ou gambá encarapitado no alto de árvore ou enfiado em pilha de lenha. Então deixamos que ganisse mas, quando fomos ver, ele estava arranhando o chassi do carro, decerto farejou rato ali.
         Eu estava plantando umas alamandas, então Dalva quem foi lidar com o problema, ou Pingo arranharia o chassi até tirar a tinta, ele é incansável na caça. Acabaram se juntando Dalva, sua secretária Meire, e nossa cuidadora doméstica, Dona Margarida, todas fuçando no motor, até que, de repente, ouvi aquela gritaria.
         - Que nooooojo!
         - Viu o tamanho?!
         - Saaai daí, bicho danado!
         Mas o rato não só não obedeceu, como voltou a se esconder no motor. Elas estavam histéricas, fui acalmar:
         - Pra lidar com rato, é preciso ter a calma e a firmeza masculinas, é preciso um homem e pronto.
         Expliquei que não podia ser eu, não porque tenha medo:
         - Tenho nojo científico de ratos.
         Recebi olhares bastante significativos, apesar dos quais dei minha sugestão:
         - Não vão conseguir tirar esse rato daí. E, se fecharem o chassi, o Pingo vai continuar arranhando. Melhor é prender o cachorro e botar aí uma ratoeira.
         Elas insistiram mais um tempo, depois acataram minha idéia. Soltaram uma bomba junina, jeito fácil de fazer a cachorrada assustada correr para dentro de casa. Fechadas as portas com os cachorros lá dentro, armei a ratoeira com irresistível toucinho defumado, tomando o cuidado de usar luvas para não pegar diretamente nem na ratoeira nem na isca: rato tem mais faro que cachorro e não aceita isca com cheiro de gente.
         Quando fomos deitar, lá pela meia-noite, ouvimos o barulho da ratoeira. Fui lá, e estava desarmada e vazia, sem toucinho nem rato. Como esqueci aberta a porta da garagem, Pingo saiu, mas cheirou o chassi e se desinteressou, sinal de que o rato fugira.  
         De manhã, Dalva acariciou Pingo e agradeceu:
         - Você arranhou o carro, mas avisou que tinha rato lá. Senão, ele podia ter feito ninho e... só de pensar no carro cheio de ratinhos, me arrepio de nojo! Você é um baita cachorro, Pingo!
         Ele deve entender Português, porque ficou olhando para ela como que dizendo não tem de que, eu estava só caçando, agora me dê um pedaço de queijo e tudo bem. Ela deu queijo a ele, dei um beijo nela, e o rato me deu esta crônica: final feliz! 
      
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