Ontem morreu minha mãe, Maria, hoje foi enterrada, com a presença de amigas e amigos dela, amigas e amigos meus. Ela morreu tranquilamente, sem dor nem medo. No velório, vendo suas mãos cruzadas, coalhadas de sardas de velhice, me veio este sonetinho:
O chamado guardamento
na verdade nada guarda
é apenas cumprimento
a quem já vai noutra estrada
A cera esculpe lenta-
mente as horas veladas
e o cravo defuntamenta
seu perfume adocicado
No livro de condolências
os personagens se alistam
e o enredo não tem ação
pois até a protagonista
nada fala, nada pensa
somente cruzou as mãos
um grande abraço
Que esse infeliz episódio não te impeça de continuar sendo o excelente contador de histórias de sempre.
Um abraço.
Muito emocionante o texto. Mas sinto te dizer: os espiritos existem!
Muito obrigada.
Em atenção à sua carta ao Jornal de Londrina, datada de 27/06/2010, registro que sinto muito pelo falecimento de sua mãe. Acredito que seja uma das maiores perdas que um ser humano pode ter.
Permita-me, ainda, fazer uma crítica construtiva, conforme seu blog sugere (www.sitioterravermelha.com.br).
Embora, respeitosamente, eu faça parte de uma minoria que não se identifica com suas obras e artigos, me chamou a atenção o título que remetia à sua enorme perda. Abri uma exceção e passei a ler.
Melhor não tivesse lido, pois suas palavras, segundo meu entendimento, extrapolaram, em alguns pontos, os limites do bom senso e, com isso, só fizeram diminuir o brilho de tão nobre homenagem, embora eu acredite - e ficou claro - que essa não era sua intenção.
Não concordo, principalmente, com suas menções desrespeitosas ao terço, classificado por você como uma “mastigação de reza repetitiva e inconsciente” e quando indelicadamente disse que: “torceu para que ninguém o rezasse”. A conclusão que chego é que você pouco conhece do terço, em especial do terço meditado, uma verdadeira fonte de graças e espiritualidade. Mas confesso que não tenho pretensão alguma de convencê-lo disso. Fique com sua referida “oração verdadeira”, seja qual for sua denominação religiosa, no entanto, não seja tão grosseiro com as expressões de fé alheias.
Chamou minha atenção, também, a ênfase que você fez questão de dar para as coisas nas quais você não acredita (vida após a morte, anjos,...), lembrando que estas são confirmadas na própria Bíblia Sagrada. Desnecessário.
Cada vez mais, percebo que pessoas que se julgam “intelectuais” e “sábios” como você, infelizmente têm dificuldade em acreditar naquilo que não se vê (fé), pois a fé exige humildade, porém, isso não lhe dá o direito de ser indelicado com as expressões de fé dos seus leitores e ao que, para eles, é sagrado. Paralelos a estes “sábios”, existem aqueles que, no alto se sua pseudo “superioridade”, enxergam glamour em ser ateu, ou coisa que o valha. Lamentável.
Apesar de ser cristão católico, não sou fanático ou “carola”, mas, sinceramente, não aceito passivamente comentários como esses. Fica a sugestão para que você guarde para si suas descrenças e críticas desta natureza. Tenho absoluta certeza que, do contrário, você perderá com isso, pois, como neste caso, grande parte de seus leitores são católicos e rezam o terço. Nesta esteira, qualquer outra expressão religiosa pacífica, de qualquer denominação, também deve ser respeitada.
Ademais, que Deus te abençoe, mesmo que eventualmente você não creia, pois Ele, seus anjos, a Bíblia Sagrada, etc., não precisam de sua fé ou de sua aprovação para serem o que realmente são.
a B[íblia é o livro mais adulterado, deturpado e falsificado do mundo, para servir de alicerce para as igrejas, falsificando Jesus e apresentando-o como Cristo. E, se você medita enquanto reza, a grande maioria não faz isso, apenas se anestesia e se ilude. Se as pessoas rezassem menos e fizessem mais por um mundo melhor, não precisariam rezar tanto.
Que gosto essa gente tem de destilar a sua raiva? Que coragem, após lerem os versos, puxarem assuntos outros.
Querem criticar o escritor, espere um pouco.
Na hora da dor, nunca é tempo de acerto de contas. Na hora da dor, está tudo certo.
Esperem um momento mais oportuno para confrontá-lo. É covardia pisar em alguém fragilizado.
Que deus nos livre das doracis e dos leônidas. Escritos assim, com letra minúscula.
Mais uma vez, respeitosamente, sou obrigado a discordar de suas palavras, em especial da parte que diz que (a Bíblia)... “falsifica Jesus apresentando-o como Cristo”.
Apesar da fragilidade da Bíblia, pelo simples fato desta ter sido escrita por homens como nós, existiram exegetas e historiadores que trabalharam sério e com critérios rígidos para separar o que era apócrifo do que era sagrado (por esta razão existem tantos livros não reconhecidos como legítimos), por isso acredito que a Bíblia NÃO mereça os adjetivos pesados e generalizados por você destilados.
Ademais, como disse, a minha mensagem anterior não possui o condão de discutir religião contigo, mas apenas pedir respeito às expressões de fé alheias.
Por outro lado, concordo contigo que a fé sem obras concretas é um contra-senso e que há muita riqueza na adversidade, desde que respeitadas às diferenças uns dos outros.
Apesar de não ter sido chamada à conversa, concordo com sua “devota”, a Sra. Margarida, quando diz que escolhi o momento errado para expor minha opinião, mas, salvo este equívoco, não mudo uma vírgula do que escrevi. Alías, observa-se que a mesma “raiva” (por sinal, inexistente) criticada por tal interlocutora foi utilizada, por ela própria, para hostilizar minha opinião, distanciando-a de uma “margarida” e aproximando-a de um “cactus”, com letra minúscula, naturalmente.
Hoje fiz faxina nas minhas coisas e separei alguns livros para doar e tornei a guardar o meu Terra Vermelha autografado na estante. Não sei porque, mas eu não consigo me desfazer dele.É um pouco a história da minha família também.
É a 1ª edição, da capa vermelha, linda, linda.
Fica com Deus
Amélia Rosana
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