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Segunda-feira, Setembro 19, 2005

Fonte da Poesia



Peguei o tempo no colo
perguntei qual que nasceu
primeiro: terra ou céu?
E o tempo piscou o olho:

- Quem sabe? Que sei eu?
Eu só sei que planto e colho
e minha glória e consolo
é passar o tempo, meu!


Quanta coisa já entrou
e saiu da geladeira
Muitas foram pra barriga
outras foram pra lixeira

Desperdício, desperdício
és uma sina ou um vício?
Será o homem um bicho
fadado a fazer besteira?


O sol quando morre diz
(em silêncio como só
sabe sempre ser o sol):
Brilhe – e morra feliz!

E entretanto diz a lua:
brilhe e também se renove
pois se tudo muda, tu a
mudar nasces de novo


Mudar – é fácil falar
quero ver é mudar mesmo
aligeirar-se a lesma
o elefante saltitar

Existe dentro da gente
uma arca de Noé
e se corrija a serpente
fique sério o chimpanzé

O TENDENCIOSO FANTÁSTICO


O Fantástico novamente revela sua visão tendenciosa (que pauta todo o jornalismo cultural da Globo) de querer apresentar fatos só com a parte agradável. Informações importantes são descartadas porque não se enquadram no "espírito" do programa, onde tudo deve ser "para cima", com "alto astral", nada "deprimente".

No quadro Os Cinco Sentidos, a música em alto volume foi tratada apenas pelo lado agradável: que provoca vibração, não apenas som, portanto afetando também o vestibular, micro-órgão na base do cérebro, responsável pela equilíbrio. Com isso, praticamente justificaram o uso de música em volume super-alto em festas, como colocam esses disc-jecas que já estão semi-surdos de tanto ouvir música alta demais e se dedicam a deixar os outros semi-surdos também, além de deixarem as festas insuportáveis para pessoas de bom gosto e bom senso.

Não é alarmismo nem chute. Pergunte a qualquer médico do ouvido. Muita gente já perdeu até 40% da audição (ou mais) por causa de música alta, motores, ambientes ruidosos. Vivemos numa era de barulho, e a poluição sonora afeta não só o ouvido, mas também o comportamento, predispondo ou agravando doenças como a hipertensão, as cardiopatias e o estresse.

É por isso que você fica com aquela depressão depois de uma festa barulhenta. Seu cérebro foi super-agredido e então requer descanso, ou trégua, te dando a depressão pra ver se você sossega e deixa o coitado descansar para se recuperar. Se você insiste, ele se vinga contraindo ainda mais as tuas artérias, o que vai resultar em hipertensão e outras doenças vasculares.

Há tempo, em outro quadro no Fantástico a Regina Casé abordou (ou melhor, louvou) os grosseirões que vão à praia com aparelhos de som, obrigando todos a ouvirem suas breguices musicais (pois sempre são bregas os poluidores sonoros). A matéria terminava com um dessas idiotas falando que praia sem música (ou seja, música altíssima) "não tem jeito", com outros idiotas em volta concordando, seguindo-se uma sequência de moradores vizinhos com as falas aceleradas, ininteligíveis, reclamando do martírio que vivem com essa poluição. Mas, para o Fantástico, dar voz a esses cidadãos seria ruim para o "espírito do Fantástico"...

A Globo é a emissora que mais se dedica à cidadania. Mas ainda tem visões e práticas anti-cidadãs. Ainda chafurda no Terceiro Mundo, mesmo quando quer posar de científica e culta.

FILHOS DE FRANCISCO: VÁ VER!!!



Mário Bortolotto comentou no blog dele (atirenodramaturgo) que estava de saco cheio com tanta badalação sobre Os Filhos de Francisco, o filme sobre a dupla Zezé di Camargo e Luciano, e eu estava sentindo a mesma coisa, depois de entrevistas da dupla ou atores do filme em vários canais de tevê. No Faustão inclusive, o que já me indispõe sempre, pois peguei ojeriza de Faustão e Jô Soares, por não deixarem falar os entrevistados.

Mas meu cunhado Antonio Ferreira e a Josiane falaram que o filme é uma beleza, então fui ver, e que maravilha! Saí com a sensação de ser o melhor filme nacional que já vi. Isto mesmo, o melhor filme brasileiro que já vi. Porque:

- é monumental na simplicidade, isto mesmo, sua força está na simplicidade. Não tem um efeito especial, não tem truques de fotografia, quando muito uns poentes bonitos e só (embora a fotografia seja de primeira, como o som, a música, dirigida por Caetano Veloso, e a direção de Breno Silveira não faz questão de aparecer, põe-se toda a serviço de contar a história, sem isso de ficar deixando marcas autorais ou gracinhas estilosas aqui e ali)

- todos os atores estão ótimos, principalmente os meninos; todos dão uma aula de expressão e contenção, dignidade e competência


- a direção e o roteiro escapam de todas as armadilhas desse tipo de história: pieguice, idolatria, dramalhão, solenidade, comicidade fácil; o filme se mantém íntegro
- o roteiro não cai em nenhum momento, e o pique emocional é ininterrupto (ora você está se enternecendo, ora está com pena, ora com raiva, ora rindo, e assim vai do primeiro minuto até o fim. O grande segredo é que a vida dos dois, e da família, foi respeitada, praticamente transcrita para a tela, sem recriação, sem adaptação, sem frescurite nem charme, apenas com verdade, sinceridade e graça, o que é muito e é tudo).

O filme, talvez o Breno Silveira nem pensou nisso, e como diriam os intelectuays, se "inscreve na linha evolutiva" do cinema nacional, ao adotar essa visão sincera e despojada que vem dd Atlântida, da Vera Cruz, de Mazzaropi, de Glauber (sim, de Glauber), de Joaquim Pedro de Andrade, e que tem na garra e graça, no melhor sentido das duas palavras, a sua grande força. O público sai do cinema visivelmente emocionado, com orgulho de ser brasileiro e com uma lição de crença e superação.

Vai ver, Mário! É uma grande oportunidade de ver como é ruim ter preconceitos!

Olhaí, meu amigo Alex Leal diz que este sítio virou um recanto geriátrico, porque falei num soneto que urinei na cama... Imagine o que ele vai pensar com as dicasa abaixo. Ele deve ser mais um desses que tem pânico de envelhecer, como se isto fosse evitável, e como se não fosse bom. Eu quero continuar envelhecendo dia a dia, já que é impossível ser de outra forma, embora a última coisa que quero fazer na vida, conforme o Solda, é morrer.



NEURÓBICA

Dicas para prevenir contra o mal de ALZHEIMER apenas exercitando o cérebro:

O simples gesto de trocar de mão para escovar os dentes, contrariando a rotina e obrigando a estimulação do cérebro, é uma nova técnica para melhorar a concentração, treinando a criatividade e inteligência e, assim, realizando um exercício de NEURÓBICA. A neurociência revela que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões até o último dos últimos dias da vida.

Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que a NEURÓBICA, a "aeróbica dos neurônios", é uma nova forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro.

Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso: limitam o cérebro. Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios "cerebrais" que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa.

O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional. Tente os seguintes exercícios:
- use o relógio de pulso no braço direito;
- escove os dentes com a mão contrária da de costume;
- ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinandoisso num parque);
- vista-se de olhos fechados;
- estimule o paladar, coma coisas diferentes;
- veja fotos de cabeça para baixo;- veja as horas num espelho;
- faça um novo caminho para ir ao trabalho;
- converse com o vizinho que nunca dá bom dia...


A proposta é mudar o comportamento rotineiro. Tente, invente, faça alguma coisa diferente e estimule o seu cérebro.Vale a pena tentar! Que tal começar a praticar agora, usando o mouse com a outra mão?...