Fonte da Poesia
 Peguei o tempo no colo perguntei qual que nasceu primeiro: terra ou céu? E o tempo piscou o olho:
- Quem sabe? Que sei eu? Eu só sei que planto e colho e minha glória e consolo é passar o tempo, meu!
Quanta coisa já entrou e saiu da geladeira Muitas foram pra barriga outras foram pra lixeira
Desperdício, desperdício és uma sina ou um vício? Será o homem um bicho fadado a fazer besteira?
O sol quando morre diz (em silêncio como só sabe sempre ser o sol): Brilhe – e morra feliz!
E entretanto diz a lua: brilhe e também se renove pois se tudo muda, tu a mudar nasces de novo
Mudar – é fácil falar quero ver é mudar mesmo aligeirar-se a lesma o elefante saltitar
Existe dentro da gente uma arca de Noé e se corrija a serpente fique sério o chimpanzé
O TENDENCIOSO FANTÁSTICO
O Fantástico novamente revela sua visão tendenciosa (que pauta todo o jornalismo cultural da Globo) de querer apresentar fatos só com a parte agradável. Informações importantes são descartadas porque não se enquadram no "espírito" do programa, onde tudo deve ser "para cima", com "alto astral", nada "deprimente".
No quadro Os Cinco Sentidos, a música em alto volume foi tratada apenas pelo lado agradável: que provoca vibração, não apenas som, portanto afetando também o vestibular, micro-órgão na base do cérebro, responsável pela equilíbrio. Com isso, praticamente justificaram o uso de música em volume super-alto em festas, como colocam esses disc-jecas que já estão semi-surdos de tanto ouvir música alta demais e se dedicam a deixar os outros semi-surdos também, além de deixarem as festas insuportáveis para pessoas de bom gosto e bom senso.
Não é alarmismo nem chute. Pergunte a qualquer médico do ouvido. Muita gente já perdeu até 40% da audição (ou mais) por causa de música alta, motores, ambientes ruidosos. Vivemos numa era de barulho, e a poluição sonora afeta não só o ouvido, mas também o comportamento, predispondo ou agravando doenças como a hipertensão, as cardiopatias e o estresse.
É por isso que você fica com aquela depressão depois de uma festa barulhenta. Seu cérebro foi super-agredido e então requer descanso, ou trégua, te dando a depressão pra ver se você sossega e deixa o coitado descansar para se recuperar. Se você insiste, ele se vinga contraindo ainda mais as tuas artérias, o que vai resultar em hipertensão e outras doenças vasculares.
Há tempo, em outro quadro no Fantástico a Regina Casé abordou (ou melhor, louvou) os grosseirões que vão à praia com aparelhos de som, obrigando todos a ouvirem suas breguices musicais (pois sempre são bregas os poluidores sonoros). A matéria terminava com um dessas idiotas falando que praia sem música (ou seja, música altíssima) "não tem jeito", com outros idiotas em volta concordando, seguindo-se uma sequência de moradores vizinhos com as falas aceleradas, ininteligíveis, reclamando do martírio que vivem com essa poluição. Mas, para o Fantástico, dar voz a esses cidadãos seria ruim para o "espírito do Fantástico"...
A Globo é a emissora que mais se dedica à cidadania. Mas ainda tem visões e práticas anti-cidadãs. Ainda chafurda no Terceiro Mundo, mesmo quando quer posar de científica e culta.
FILHOS DE FRANCISCO: VÁ VER!!!
Mário Bortolotto comentou no blog dele (atirenodramaturgo) que estava de saco cheio com tanta badalação sobre Os Filhos de Francisco, o filme sobre a dupla Zezé di Camargo e Luciano, e eu estava sentindo a mesma coisa, depois de entrevistas da dupla ou atores do filme em vários canais de tevê. No Faustão inclusive, o que já me indispõe sempre, pois peguei ojeriza de Faustão e Jô Soares, por não deixarem falar os entrevistados.
Mas meu cunhado Antonio Ferreira e a Josiane falaram que o filme é uma beleza, então fui ver, e que maravilha! Saí com a sensação de ser o melhor filme nacional que já vi. Isto mesmo, o melhor filme brasileiro que já vi. Porque:
- é monumental na simplicidade, isto mesmo, sua força está na simplicidade. Não tem um efeito especial, não tem truques de fotografia, quando muito uns poentes bonitos e só (embora a fotografia seja de primeira, como o som, a música, dirigida por Caetano Veloso, e a direção de Breno Silveira não faz questão de aparecer, põe-se toda a serviço de contar a história, sem isso de ficar deixando marcas autorais ou gracinhas estilosas aqui e ali)
- todos os atores estão ótimos, principalmente os meninos; todos dão uma aula de expressão e contenção, dignidade e competência
- a direção e o roteiro escapam de todas as armadilhas desse tipo de história: pieguice, idolatria, dramalhão, solenidade, comicidade fácil; o filme se mantém íntegro - o roteiro não cai em nenhum momento, e o pique emocional é ininterrupto (ora você está se enternecendo, ora está com pena, ora com raiva, ora rindo, e assim vai do primeiro minuto até o fim. O grande segredo é que a vida dos dois, e da família, foi respeitada, praticamente transcrita para a tela, sem recriação, sem adaptação, sem frescurite nem charme, apenas com verdade, sinceridade e graça, o que é muito e é tudo).
O filme, talvez o Breno Silveira nem pensou nisso, e como diriam os intelectuays, se "inscreve na linha evolutiva" do cinema nacional, ao adotar essa visão sincera e despojada que vem dd Atlântida, da Vera Cruz, de Mazzaropi, de Glauber (sim, de Glauber), de Joaquim Pedro de Andrade, e que tem na garra e graça, no melhor sentido das duas palavras, a sua grande força. O público sai do cinema visivelmente emocionado, com orgulho de ser brasileiro e com uma lição de crença e superação.
Vai ver, Mário! É uma grande oportunidade de ver como é ruim ter preconceitos!
Olhaí, meu amigo Alex Leal diz que este sítio virou um recanto geriátrico, porque falei num soneto que urinei na cama... Imagine o que ele vai pensar com as dicasa abaixo. Ele deve ser mais um desses que tem pânico de envelhecer, como se isto fosse evitável, e como se não fosse bom. Eu quero continuar envelhecendo dia a dia, já que é impossível ser de outra forma, embora a última coisa que quero fazer na vida, conforme o Solda, é morrer. 
NEURÓBICA
Dicas para prevenir contra o mal de ALZHEIMER apenas exercitando o cérebro:
O simples gesto de trocar de mão para escovar os dentes, contrariando a rotina e obrigando a estimulação do cérebro, é uma nova técnica para melhorar a concentração, treinando a criatividade e inteligência e, assim, realizando um exercício de NEURÓBICA. A neurociência revela que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões até o último dos últimos dias da vida.
Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que a NEURÓBICA, a "aeróbica dos neurônios", é uma nova forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro.
Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso: limitam o cérebro. Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios "cerebrais" que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa.
O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional. Tente os seguintes exercícios: - use o relógio de pulso no braço direito; - escove os dentes com a mão contrária da de costume; - ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinandoisso num parque); - vista-se de olhos fechados; - estimule o paladar, coma coisas diferentes; - veja fotos de cabeça para baixo;- veja as horas num espelho; - faça um novo caminho para ir ao trabalho; - converse com o vizinho que nunca dá bom dia...
A proposta é mudar o comportamento rotineiro. Tente, invente, faça alguma coisa diferente e estimule o seu cérebro.Vale a pena tentar! Que tal começar a praticar agora, usando o mouse com a outra mão?...
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