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Segunda-feira, Setembro 12, 2005

VELHA RECEITA



Domingo televisão nos canais abertos é uma mistura de tédio, troça, trash, terror e tontice. Mas no sábado à tarde há uma ilha de salvação, o programa de calouros e novos talentos de Raul Gil. Receita antiga: simplicidade, dignidade, decência, talento. E vive batendo a audiência da Globo com seu sofisticado e produzidíssimo Fama, que vai se tornando mais previsível e enfadonho a cada novo programa, ou melhor, velho programa. O programa do Raul Gil, com sua velha receita, parece renovado a cada semana, embora reprisando os calouros.

Mas que calouros! Há jovens ali que, como diz o José Messias, já deviam estar com discos gravados e agenda de shows lotada. O Raul é meio grosso, posa de meio bobo, mas transborda de gosto pelo que faz e carinho pelos calouros. Seus jurados muitas vezes não dizem muito, mas também não dizem besteira nem posam de entendidos, são gente enfim. Por tudo isso, a receita funciona maravilhosamente e ilumina as tardes de sábado.

VIDEOTICE


Ontem Dalva e eu rimos muito, depois de tentar ver (não chegamos nem à metade) um filme chamado Pântano, espanhol ou argentino, nem deu vontade de verificar, tão ruim é. O diabo é que a capa diz que foi vencedor do Festival de Berlim, aí ficamos nos perguntando se terá sido na categoria Pior Filme.

Ficamos rindo ao lembrar de outros filmes memoráveis, no pior sentido. Um chamado Em Alto Mar, sobre um casal que vai fazer mergulho e são esquecidos em alto mar, acabando comidos por tubarões. Um do Kurosawa, um dos primeiros, tão chato que a sala parecia ir encolhendo a cada sequência. Amarelo Manga, um nacional com tantas nojeiras quantas empresas patrocinadoras e apoiadoras (um desfile de logomarcas no início e no final). Um do John Ford ou John Houston, sobre a Guerra da Secessão, com Audie Murphy, filme inacabado e que não deveria nem ter começado.

No fim das contas, serviram para nos fazer rir. Ontem rimos muito, lembrando de todos. Ah, se a gente puder fazer o mesmo com todas as dores, infortúnios, terão valido a pena.