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Sábado, Agosto 13, 2005

QUÍMICA PRA QUE?!?!


Pegue um galão disso, misture com um galão daquilo e pronto, você tem uma mistura explosiva. Portanto química interessa para terroristas. Também para químicos industriais, farmacêuticos, médicos, veterinários e... quem mais?

Para que estudar tanto Química e Física no ensino médio? E quando é que na vida usamos raiz quadrada e raiz cúbica? E qual a importância de saber que a hipófise fica alojada na sela túrsica doe esfenóide (nunca mais me esqueci disso das aulas de Biologia, não porque a vida me exigisse esse conhecimento, mas porque achei bisonhamente poético:

A hipófise
fica alojada
na sela túrsica
do esfenóide


Esse sistema de ensino, que mistura jovens de todas as vocações para aprender Química, Física e Biologia, é um absurdo, uma violência contra os cérebros, um roubo sistemático ao tempo de vida, uma idiotice que continua porque os cordeiros - pais, professores, educadores, políticos, imprensa, quase todos - dizem amém.

Estou escrevendo um romance para jovens, A ESCOLA REDONDA, para mostrar que muito mais importante que ciências inúteis para a maioria, será ensinar, por exemplo, como raciocinar (Lógica Menor), como se relacionar (Psicologia), como liderar ou interagir no mundo do trabalho e das iniciativas. Ainda são formados médicos em escolas com professores e mentalidade geral focados num mercado de trabalho que começou a acabar no século retrasado e hoje não existe mais...

E a ética então? É, quando muito, uma palavra mencionada de vez em quando nas aulas, que, aliás, deviam deixar de ser aulas professorais, com o professor lá na frente falando unilateralmente para jovens que ficam fitando a nuca do colega da frente... Indício claro da quadradice do sistema educacional é que a arquitetura das escolas é sempre quadrada, com salas quadradas, com fileiras retas de carteiras, enquanto no mundo real o que vale é a postura redonda, em círculos de discussão e ação, a palavra rodando para participação de todos, no trabalho em equipe. Para isso, nossas escolas ainda estão cegas, surdas e mudas.

Mas o destino da Humanidade é melhorar e, um dia, ainda veremos escolas redondas.

GUERRA DECENTE: SPIELBERG!



Guerras não têm mocinhos: mesmo o país que se defende de agressões logo passa a usar todas as armas e táticas possíveis para vencer. No documentário O Preço da Paz, dirigido por James Moll, vemos os soldados americanos (que entraram na guerra porque covardemente bombardeados em Pearl Harbour) usando lança-chamas para queimar japoneses como formigas nas ilhas do Pacífico. A desigualdade de perdas diz tudo: para cada americano morto, dezenas de japoneses.


O que fica de decente das guerras são as lições que se tira delas, principalmente pelas artes. É o caso de O Preço da Paz, onde vemos onde Steven Spielberg se inspirou para criar O Resgate do Soldado Ryan. Se na Europa houve alguns desembarques de tropas, como em Anzio e na Normandia, no Pacífico foram dezenas de desembarques, para conquistar as ilhas ocupadas pelos japoneses.
Se o documentário ficasse só nisso, já seria revelador, por mostrar as cruezas da guerra sem euforia nem triunfalismo. Mas vai além, mostrando veteranos, muito depois da guerra, a visitar os locais de combate e contar seus horrores. Como um japonês que conta ter matado a mãe e os irmãos, para que não caíssem prisioneiros dos americanos (pois os superiores japoneses propalavam que os americanos torturavam e seviciavam prisioneiros...); e, depois de massacrar a família, o japonês não tem tempo de se matar e acaba prisioneiro, para descobrir que será bem tratado pelos americanos...


É muito comovente o encontro de veteranos dos dois países, décadas depois, visitando os cemitérios de suas tropas e fazendo amizade. Um japonês envia a um americano, todo mês, uma quantia em dinheiro para que compre flores para o cemitério dos mortos americanos... E acabamos com a certeza de ter visto mais uma obra humanizante desse gênio humanizador do cinema, Spielberg.