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Quarta-feira, Agosto 03, 2005

Fonte da Poesia



COLHEITA


Como amanhece em céu ainda escuro
tenho colhido meus mamões bem quando
não estão verdes mais – e nem maduros:
ficarão na fruteira madurando

Colhendo verdes ficariam duros
maduros ficariam para os bandos
de passarinhos sempre procurando
cores de frutos entre tantos muros

Tudo tem o seu tempo de colheita
os planos, atitudes, decisões
como as bananas, figos e mamões

Mas o olhar se confunde em preconceitos
e entre "pombas", "pardais" e "gaviões"
qual será melhor tempo e melhor jeito?

RETROCESSO


Que a borradeira geral no PT não acabe em retrocesso, com eleição da turma do Plínio de Arruda Sampaio e sua visão radical-socialista primata.

Plínio esteve em Curitiba, como candidato a presidente do PT, e falou pérolas de visão de mundo (ou cegueira), como "mais valia", "imperialismo", "burguesia"...

Jamais me esqueço que, na década de 70, num cine-clube que a gente tinha aqui em Londrina, passamos um documentário que mostrava operários do ABC falando suas visões de mundo, antes de existir PT, em plena ditadura. E eis que aparece um operário dizendo que vivia feliz, porque tinha emprego e podia no fim de semana comer pizza com a família.

A fala provocava viva rejeição e gozação, mas fiquei pensando se o cara não tinha o direito de se sentir assim, e se isso não é a meta possível para a maioria medíocre e conformada (que age só conforme e se conforma conforme não age).

Hoje vejo que o principal problema, para o Partido dos Trabalhadores ou qualquer partido que ainda se pretenda socialista, é justamente captar/cooptar gente que não seja de classe média. Estes militam pelo sonho socialista, cujo fogo vai se apagando com o tempo, ou militam pelas vantagens e benefícios (empregos públicos, assessorias, contratos etc) que a vida pública vai descortinando. Mesmo o MST, que parece tão radical, na verdade é alimentado pela ilusão de posse e/ou poder que oferece a suas massas rurbanas

Será que não existe no PT gente que nem esteja tão à direita como Lula e sua Turma, e não tão à esquerda como Plínio e Cia?

Crise deve ser oportunidade para avanço, mas também pode dar em retrocesso.