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Quarta-feira, Junho 22, 2005

BLIM BLEM BLOM DIA!


Quarta-feira: tem ali
a tela mais bem pintada
tanto que olhando pra ela
a minha alma sorri

Nela flores amarelas
beijadas por colibri
dão bom dia para mim:
é a minha janela

FILME



A luz da ética:
ENERGIA PURA

O cartaz aí não deixa supor a beleza que é Energia Pura, filme de Victor Salva que não tem nada de espetaculoso, poucos efeitos especiais, estritamente necessários à história, mas conta com a luz essencial do cinema, a ética. As cenas se ilumimam de sentido e de humanidade.
É a história de um rapaz que, no ventre da mãe, é atingido por um raio e nasce diferente: pele branca e sem pelos, devido à eletrólise em que vive, cheio de eletricidade - e também de inteligência e sensibilidade, coisas que os outros dificilmente perceberão.
É uma história sobre preconceito e tolerância, a essência portanto da democracia. Judeus e árabes, negros e brancos, espanhóis e bascos, irlandeses e ingleses, paquistaneses e indianos, todos brigam porque se acham melhores, quando são apenas diferentes, e a diversidade é o maior patrimônio humano. Por isso esse filme é um daqueles que devia passar em todas as escolas.
Beleza pura. Exija na locadora.

Fonte da Poesia

Esperançoso



Leônidas Pellegrini

Atenienses foram à ruína,
assim como espartanos e tebanos;
e séculos depois foram romanos
que à sua vez tiveram mesma sina.

Todo reinado é certo que termina:
findou-se o glorioso lusitano;
o inglês, há muito que entrou pelo cano;
não há remédio em toda a medicina

que salve para sempre as dinastias:
por mais que durem, sempre hão de acabar!
Assim, até que dá pra ter a crença

em que há de ruir o império-putaria,
que como lepra, câncer, grave doença,
na terra brasileira é secular!

Poderoso

Domingos Pellegrini

Chamar e ser prontamente atendido
ser com carinho por todos guardado
até dos espiões andar ao lado
até aos reis falar ao pé do ouvido

Ter conta paga até adiantado
ser tão pequeno mas tão atrevido
iluminar-se como um possuído
em tudo entrar mesmo não convidado

Vibrar como um orgasmo distraído
ser mais do que o Messias aguardado
interromper maestros afamados

na batina dos papas enrustido:
enquanto viver sempre hei de invejar
o poderio que tem um celular!

(Do livro Gaiola Aberta, Ed. Bertrand Brasil)